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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O CASAL DIVINO


A primeira porta de acesso ao mundo teológico em que se moveriam Baal e Anat é, logicamente, o grupo de textos mitológicos onde a sua ação conjunta é mais significativa, isto é, o Ciclo de Baal, constituído por 3 mitos: A Luta entre Baal e Yammu; O Palácio de Baal; e A Luta entre Baal e Motu, que datarão de c. 1500- 1370 a.C.
É exactamente neste conjunto mitológico que encontramos, não só a acção que nos interessa para caracterizar a relação entre Baal e Anat, como também encontramos o centro da definição, do que se entenderia por Baal.
O vocábulo «baal», tal como o correspondente ao deus Ilu, já aqui referido, para além de constituírem os nomes dos deuses homónimos, eram também usados como palavras normais no discurso corrente. O que queriam dizer? Simples e, ao mesmo tempo, significativamente avassalador: «baal» era uma das palavras normalmente usadas para dizer «rei» ou «senhor», ao passo que «ilu» era o vocábulo comummente usado para dizer «divino», «divindade» ou «deus».
Ora, pelos mitos em causa, verificamos exactamente, quer seja pelas formas de nomeação usadas, quer pelo texto em si, pela leitura da narrativa, que estes dois deuses são exactamente o que os seus nomes indicam: um é a própria noção de divindade, de «deus», por natureza, o outro a ideia de senhoria, de realeza, o «senhor» por definição.
Desta forma, neste dois deuses, como que temos um depurar de tudo o que seria acessório. Apenas o essencial, expresso nos seus nomes, aqui se encontra. Podemos afirmar que, no Ciclo de Baal, encontramos uma síntese teológica do espaço de Canaã em meados do segundo milénio a. C.
Remetendo-nos para uma muito longa duração, esta relação de horizontes de divino presente em Canaã, no segundo milénio antes da era de Cristo, será integrada aquando do processo de construção de uma divindade única em Israel: Iavé.
Nas formas de nomeação do Deus de Israel, Eloim e Adonai, as duas mais correntes no Antigo Testamento, verificamos a integração funcional desta herança milenar: «eloim» é o plural do mesmo sentido semântico de «ilu», ao passo que «adonai» é um sinónimo de «baal».
Mas, mais próximo de nós, também o mundo do nascente Cristianismo irá integrar esta noção dupla de divindade. Um milénio e meio depois, aquando do primeiro grande esforço de uniformização do cristianismo em Niceia (primeiro concílio de Niceia), o chamado Credo de Niceia mostrará, na formulação da distinção entre as entidades Pai e Filho, a duplicidade entre uma noção do divino profundamente enraizada na noção de senhoria, e outra que se confunde com o próprio vocábulo usado para exprimir a dimensão de divindade: a velha complementaridade entre «senhor» e «deus», vista com os casos de «Baal» e «Ilu», presente nos nomes do deus de Israel através de «Adonai» e «Eloim», aparece agora no nascente cristianismo.
fonte-Site triplov.com.org
Texto de maria Julieta Mendes Dias e outros.
Maria de Magdala a Mulher-a construção do culto o caminho do mito