projeto educar Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador papa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador papa. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 28 de abril de 2026

TEOLOGIA PÚBLICA --- SAÚDE E A CLINICAGEM

 Valdeci Fidelis: 

Quero entender com uma adesão de apenas 24% em um mês de campanha (28/03 a 28/04/2026) é um desafio multifatorial, especialmente em cidades de porte  de Presidente Prudente, como sede regional que, teoricamente, possuem melhor infraestrutura de saúde. Como explicar a população prudentina a baixa adesão nesta campanha.

​Buscando compreender, porque aqui estão os principais pilares para analisar por que os grupos prioritários não estão comparecendo aos postos de vacinações:

​1. O Fenômeno da "Fadiga Vacinal"

​Após anos de campanhas intensas (especialmente pós-COVID-19), muitos cidadãos apresentam um cansaço psicológico em relação a imunizantes.

​Percepção de Risco: A Influenza é frequentemente confundida com um "resfriado comum". Se a população não percebe a gripe como uma ameaça real à vida, a urgência em se vacinar diminui. Assim muitos deixam de seguir as orientações para vacinarem

​Saturação de Informação: O excesso de convocações para reforços de diversas vacinas pode gerar desinteresse ou confusão sobre o calendário vacinal. Onde muitos não percebem o chamado, mesmo porque as informações poucas são fundamentadas com rigor e orientações multidisciplinares.

​2. Barreiras Logísticas e de Acesso

​Em cidades regionais, o fluxo de pessoas é alto, mas a conveniência nem sempre acompanha a demanda:

​Horário de Funcionamento: Se os postos operam apenas em horário comercial (8h às 17h), trabalhadores de grupos prioritários (como professores e profissionais de saúde) ou cuidadores de idosos encontram dificuldades.

​Deslocamento: Em polos regionais, a distância até as Unidades Básicas de Saúde (UBS) pode ser um entrave se não houver postos volantes ou itinerantes locais de grande circulação, como terminais rodoviários ou centros comerciais.

​3. Desinformação e Hesitação Vacinal

​Mesmo em 2026, as fake news continuam sendo um adversário de peso:

​Mitos sobre Efeitos Colaterais: A ideia errônea de que "a vacina causa a gripe" ainda é um dos maiores impeditivos para idosos e gestantes.

​Medo de Coadministração: O receio de tomar a vacina da Influenza junto com outros reforços pode afastar quem não quer "sobrecarregar o sistema imunológico".

​4. Comunicação e Engajamento

​A estratégia de marketing de saúde pode estar falhando em atingir o público-alvo:

​Falta de Busca Ativa: Sem o uso de agentes comunitários de saúde batendo à porta (PAP) ou o envio de lembretes via SMS/WhatsApp, a adesão tende a ser passiva.

​Mensagem Genérica: Campanhas que não segmentam a linguagem para o idoso, para a gestante ou para os pais de crianças perdem eficácia.

​Resumo do Cenário (Março/Abril 2026)

  Sabemais: 

Valdeci Fidelis: Vacinas  influenza 2026.

quinta-feira, 29 de maio de 2025

A IGREJA A NOIVA DE CRISTO A Igreja como mulher, a Igreja como esposa. "Desmasculinizem a Igreja”

        O papa envolveu seu Conselho de Cardeais em discussões sobre o papel das mulheres na Igreja, uma vez que a assembleia sinodal do próximo mês de outubro está preparada para analisar as diáconas.

A reportagem é de Loup Besmond de Senneville, publicada em La Croix International, 27-02-2024. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Quando o Papa Francisco se encontrou com membros da Comissão Teológica Internacional em novembro passado, não perdeu tempo em dizer-lhes o que tinha em mente.

“Há algo que eu não gosto em vocês, desculpem a minha franqueza”, disse ele ao entrar no pequeno salão adjacente à Sala de Audiências Paulo VI. “Uma, duas, três, quatro mulheres – pobres mulheres! Elas estão sozinhas! Ah, desculpe, cinco”, disse o papa. “Neste ponto, devemos avançar! As mulheres têm uma capacidade de reflexão teológica diferente da dos homens”, insistiu Francisco, ao começar a falar aos teólogos.

Ele obviamente podia ver o olhar perplexo em seus rostos, então foi direto ao ponto. “Vocês vão se perguntar: aonde esse discurso leva? Não apenas a dizer que vocês precisam de mais mulheres aqui – isso é uma coisa – mas também a ajudá-los a refletir. A Igreja como mulher, a Igreja como esposa. E essa é uma tarefa que eu lhe peços, por favor. Desmasculinizem a Igreja”, disse o papa.

“Desconforto” das mulheres católicas

Com essa tarefa em mente, Francisco iniciou então a reflexão sobre o “caráter feminino” da Igreja, durante o encontro, uma semana depois (4 de dezembro), com seus nove conselheiros principais que compõem o Conselho de Cardeais. Ele até convidou três teólogas especializadas no papel das mulheres na Igreja para falarem ao C9, como é comumente chamado o conselho.

O papa apresentou dois conceitos que o falecido teólogo suíço Hans Urs von Balthasar (1905-1988) desenvolveu nos anos 1940 no centro das reflexões sobre as mulheres na Igreja: o princípio petrino e o princípio mariano. O primeiro, referente a São Pedro, o primeiro dos Apóstolos, está ligado aos ministérios da Igreja. O último está ligado à Virgem Maria.

“O papa queria que a questão fosse abordada sob várias perspectivas”, disse Linda Pocher, irmã salesiana e teóloga especializada no pensamento de Balthasar e uma das três estudiosas convidadas para falar no C9. “O princípio balthasariano pode ser um paradigma muito útil para pensar sobre a diferença entre o institucional e o espiritual. Mas também tem seus limites”, disse ela aos cardeais. “Não é realmente adequado para expressar a diferença entre homens e mulheres na Igreja.”

Luca Castiglioni, um padre e teólogo de Milão concorda. “Esse princípio não pode ser usado para separar hermeticamente homens e mulheres”, disse ele, enfatizando que a Igreja não pode ignorar o “desconforto” regularmente expressado pelas fiéis mulheres – “isto é, metade da população católica”. “Só sairemos desta situação se realmente levarmos em conta o ponto de vista de homens e mulheres para avançarmos”, disse Castiglioni.

Pocher disse que as reflexões, que os membros do C9 continuaram durante sua reunião no início de fevereiro, estão em linha com a reflexão que a assembleia do Sínodo sobre a Sinodalidade iniciou em relação ao diaconato feminino.

“No Conselho de Cardeais, a maioria dos membros entende a urgência de refletir sobre a questão do diaconato feminino, para ver se essa possibilidade deve ser aberta às mulheres, e de que forma”, disse a teóloga salesiana.

Uma bispa anglicana no Vaticano

Pocher também disse que essa é uma forma de se preparar para a próxima assembleia do Sínodo em outubro, onde o diaconato feminino será uma das questões principais. Devido a dessa proposta, ela convidou Jo Wells, uma bispa anglicana, para se dirigir ao papa e aos cardeais na sessão de fevereiro do C9Wells compartilhou sua experiência sobre a ordenação de mulheres – ao presbiterado e ao episcopado – na Igreja Anglicana.

“Quando eu vejo que a Igreja Católica só abriu recentemente os ministérios (de leitora e acólita) às mulheres, isso me faz retroceder décadas”, disse ela, antes de observar que está “acostumada a trabalhar em contextos onde as mulheres trabalham e assumem responsabilidades”.

Wells enfatizou particularmente a capacidade dos membros da Igreja Anglicana de “administrar suas divergências”. “Alguns na nossa Igreja não suportam a ordenação de mulheres. Temos medidas para preservá-las disso”, explicou ela. “Durante toda a reunião, o papa permaneceu em silêncio. Parece-me que ele queria encorajar os cardeais a falarem.”

Fonte: Loup Besmond de Senneville, publicada em La Croix International, 27-02-2024.