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sábado, 10 de outubro de 2026

ROMANOS 13: JUSTIÇA DIVINA

 

                                          VALDECI FIDELIS    

                    APRESENTAÇÃO JUSTIÇA DIVINA

                       Teologia Pública Cultural  Para Melhor Compreenção

           Esclarecendo nas páginas que seguirão nesse tratado, muitas ideias que representam uma visão melhor o ponto de vista dos cristãos e das realidades que nos cercam, serão uma pequena resenha de conceitos filosóficos - teológicos, de uma maneira bem acessível a todos que leem. Filosofia é a ciência dos que amam a sabedoria.

Procurei trazer um conhecimento até o leitor, o conhecimento maior de Deus, a respeito daquilo que se relaciona com Ele, o que é chamado de Teólogo é aquele que se dedica ao estudo de Deus e daquilo que com Ele se relaciona, como das realidades divinas e as transmite. Não quero chamar de catecismo, nem também um compendio de Teologia, tem somente a finalidade de levar até o leitor o diálogo com Deus, com o salvador Jesus Cristo e consigo mesmo, com os irmãos, com sua comunidade e com a vida, mostrar uma religião esclarecida, na certeza que esse diálogo irá iluminar e enriqueça a vida de muitos a encontrar em seu caminho um amor verdadeiro, Deus. A fé é baseada no fato que um dia, um homem chamado Jesus de Nazaré proclamou e se fez Deus ele morreu pelos nossos pecados e ressuscitou vencendo a morte, morte de cruz.

Precisamos ter disciplina para entender que Jesus não veio para mudar nem para acabar com os mandamentos deixados por Deus, quando se envolvemos com escolas, família, igreja, aumenta tensão e precisa ser dobrada a responsabilidade amadurecida, isso parece uma missão pesada mas disciplina torna fácil quando desde da idade criança ela sente amada, criança não deve sentir rejeitada porque assim torna-se pesada, rejeitada, irritante, na vida poderá ser imorredoura. Após o véu ser rasgado e morte de Jesus, abrindo caminho para presença de Deus, proibições bíblicas sobre vida de casais sem constituição oficial na justiça e os costumes do Brasil não se alteraram fundamentalmente. 

A Bíblia já proibia e continua proibindo: As relações sexuais fora do casamento, na Bíblia, no Antigo Testamento quanto Novo Testamento enfatizam a santidade do casamento e considera relações entre homem e mulher fora desse contexto como pecado, adultério, fornicação. Os ensinamentos de Jesus sobre a indissolubilidade do casamento; com exceção de infidelidade, reforçam essa visão (Mateus 19:4-9). Desonrar matrimônio: Viver junto sem o compromisso público e legal do casamento pode ser visto como desvalorizar a instituição do matrimônio, que é apresentada na Bíblia como uma aliança sagrada, instituição criada por Deus para família de Deus. O que mudou com o rasgar do véu: rasgar do véu simbolizou o acesso direto a Deus através de Jesus Cristo. Não houve uma mudança nas leis morais ou nos princípios relacionados ao casamento à sexualidade, sacrifício de Jesus abriu um novo caminho de relacionamento com Deus e trouxe o perdão dos pecados através da fé, mas não anulou os mandamentos bíblicos sobre conduta moral. Você é uma das mais legítimas esperanças para aqueles que esperam viver o amanhã com a certeza que haverá mais amor e menos ódios entre as nações, é isso que o povo de Deus espera e pensa a respeito de seus familiares mais jovens, “ajude-nos a crescer na fé e na esperança”.

A perspectiva no contexto no Brasil, a união estável é reconhecida juridicamente como entidade familiar, direitos e deveres semelhantes o casamento civil. Do ponto de vista bíblico, ausência de um compromisso formal público, mesmo que haja uma relação duradoura pode ser vista por algumas denominações como não estando em plena conformidade com os princípios bíblicos sobre o matrimônio. Em resumo: Jesus não proibiu novas condutas mas além daquelas já estabelecidas. A Bíblia continua a enfatizar a importância do casamento como o contexto apropriado para as relações conjugais a vida familiar. A principal mudança após o véu foi a abertura do acesso a Deus através de Cristo, oferecendo perdão e reconciliação para aqueles que pecam, mas não alterando os padrões de conduta estabelecidos. O termo "depois do véu" possui um significado rico e multifacetado tanto na teologia quanto no contexto cultural, e sua compreensão pode nos oferecer insights valiosos para os dias atuais, "véu" na teologia, especialmente na tradição judaico-cristã, é frequentemente associado à separação entre o sagrado e o profano, entre a presença de Deus e a humanidade pecadora, exemplo mais emblemático é o véu do Templo de Jerusalém, que separava o Santo dos Santos (onde se acreditava residir a presença de Deus) do restante do templo.

Introdução: A Epístola aos Romanos, considerada um dos pilares da teologia cristã, aborda temas cruciais como a justificação pela fé, a universalidade do pecado e a soberania de Deus. No entanto, o capítulo 13, com sua enfática exortação à submissão às autoridades constituídas, têm sido objeto de intenso debate e interpretações divergentes ao longo dos séculos. Desde a defesa do direito divino dos reis até a justificação de regimes autoritários, Romanos 13 tem sido utilizado para legitimar diferentes formas de poder político. Diante dessa complexidade e da relevância contínua da relação entre fé e política, este TCC se propõe a realizar uma análise aprofundada de Romanos 13. Buscaremos ir além de uma leitura superficial, investigando o contexto histórico e social da Roma imperial, as intenções teológicas de Paulo ao escrever esta epístola e as implicações práticas de sua mensagem para a vida da igreja e dos cristãos individualmente.

Capítulo 1: O Contexto Histórico, Social e Teológico de Romanos13:

Para se compreender adequadamente a mensagem de Paulo em Romanos 13, é fundamental mergulhar no contexto em que a epístola foi escrita. Este capítulo explora:

A Roma Imperial no Século I: Analisaremos a estrutura política do Império Romano sob o governo de Nero, as dinâmicas sociais, a presença de tensões entre judeus e romanos, e o status da crescente comunidade cristã em Roma, afirma que. A Autoria e o Propósito da Epístola aos Romanos: Discutiremos a autoria paulina e o objetivo geral da carta, com foco em como o tema da submissão às autoridades se encaixa no argumento teológico mais amplo da epístola, especialmente em relação à justificação pela fé e à unidade entre judeus e gentios em Cristo. O Gênero Literário e as Convenções da Época: Investigaremos o gênero epistolar e as possíveis influências da filosofia estoica e do pensamento judaico sobre a visão de autoridade e ordem social presentes no mundo greco-romano.

Capítulo 2: Exegese Detalhada de Romanos 13:1-7:

Este capítulo se dedicará a uma análise exegética minuciosa dos versículos chave de Romanos 13, buscando compreender o significado original das palavras e frases utilizadas por Paulo: "Toda alma estará sujeita às autoridades superiores" (v. 1): Examinaremos o significado de "alma" "sujeita" e "autoridades superiores", explorando as possíveis nuances e implicações dessas palavras no contexto do Novo Testamento e da cultura greco-romana. "Porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus" (v. 1): Analisaremos a teologia da soberania divina sobre as autoridades terrenas, confrontando interpretações que absolutizam o poder estatal e buscando compreender o sentido da "ordenação" divina. "Portanto, aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação" (v. 2): Investigaremos as implicações da resistência à autoridade e o significado da "condenação” mencionada por Paulo. A Função da Autoridade: "Porque os magistrados não são para temor das boas obras, mas das más" (v. 3-4): Analisaremos a descrição paulina do papel das autoridades como promotoras do bem e punidoras do mal, explorando a idealização presente nessa descrição e suas possíveis limitações. O Dever de Pagar Impostos: "Portanto, por isso também pagais tributos; porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto" (v. 6): Investigaremos a justificativa teológica para o pagamento de impostos e a compreensão das autoridades como "ministros de Deus". Resumo dos Deveres no livro de romanos afirma: “Pagai a todos o lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra; (v. 7)1 Analisaremos o significado dos diferentes tipos de obrigações (Romanos 13:7) mencionadas por Paulo e a abrangência de sua exortação No capítulo 3: Interpretações Históricas e Teológicas de Romanos 13: Este capítulo explora as diversas formas como Romanos 13 foi interpretado ao longo da história da Igreja e do pensamento teológico: Igreja Primitiva e os Padres da Igreja do império romano.

Analisaremos as primeiras interpretações de Romanos 13 e como os cristãos se relacionaram com as autoridades romanas, especialmente durante os períodos de perseguição. Reforma Protestante ensistem: Mas investigaremos as interpretações de reformadores como Lutero e Calvino, e como em Romanos 13 influenciou suas visões sobre o papel do Estado e a obediência civil, sobre os poderes dos homens.

Queremos falar sobre o Pietismo e o Avivamento: Exploraremos as perspectivas pietistas e avivalistas sobre a submissão às autoridades, muitas vezes enfatizando a obediência passiva e a separação do mundo. O Pietismo é caracterizado por uma espiritualidade bíblica, e tem uma postura de constante oração, de uma atitude inconformada e muito inquieta, disposta a empenhar-se pela inovação e renovação na vida da igreja. Este movimento mudou a história da igreja, apesar de acharmos outros princípios relevantes com pietismo, tem algumas semelhanças por compartilharem entre si alguns princípios. 

COMO INTERPRETAR OUTRAS TEOLOGIAS 

Existem Teologia Liberal e a Teologia da Libertação: Analisaremos as críticas e interpretações de Romanos 13 a partir de perspectivas teológicas mais engajadas com as questões sociais e políticas, questionando interpretações que justificam a opressão. Interpretações Contemporâneas, discutiremos as diferentes abordagens teológicas atuais sobre Romanos 13, considerando os desafios da globalização, dos regimes autoritários e da defesa dos direitos humanos. Capítulo 4: Aplicações Contemporâneas e Dilemas Éticos à Luz de Romanos 13: Este capítulo buscará aplicar os princípios teológicos de Romanos 13 a situações e dilemas éticos contemporâneos, explorando as tensões entre a submissão à autoridade e a responsabilidade profética do cristão:

6. PARTE AUTORIDADE

CÍVEL. Obediência e Desobediência Civil: Analisaremos as situações em que a desobediência civil pode ser justificada à luz de princípios bíblicos mais amplos, como a justiça, a defesa dos oprimidos e a obediência primária a Deus.

POLÍTICA. O Cristão e a Participação Política: Discutiremos as diferentes formas de envolvimento político para os cristãos, desde o voto até a militância, considerando as implicações de Romanos 13 para a ação política. A Igreja Diante de Regimes Autoritários e Corruptos: Exploraremos o papel da igreja em contextos de injustiça e opressão, analisando as possíveis formas de resistência pacífica e a defesa dos direitos humanos à luz dos ensinamentos bíblicos. A Ética Fiscal e a Justiça Social: Refletiremos sobre as implicações de Romanos 13 para a compreensão cristã do pagamento de impostos e a responsabilidade social em relação aos mais vulneráveis.

A IGREJA. A Autoridade no Contexto da Igreja: Analisaremos como os princípios de autoridade e submissão presentes em Romanos 13 podem ser aplicados à estrutura eclesiástica, evitando o autoritarismo e promovendo a ordem e o serviço mútuo. 

PAULO E AS 13 CARTAS DO EVANGELHO DE CRISTO JESUS CONCLUSÃO DA PESQUISA SOBRE PAULO NESTE TRABALHO

Não encontrei nas cartas de Paulo uma contagem específica sobre obediência à justiça na terra. Os temas de justiça, obediência e lei são complexos e interligados em seus escritos, sendo abordados de diversas maneiras em diferentes contextos. Sobre a obediência à justiça na terra, alguns pontos importantes nas cartas de Paulo incluem: Romanos 13:1-7: Paulo instrui os cristãos a se sujeitar às autoridades governamentais, pois toda autoridade vem de Deus. Ele afirma que as autoridades são estabelecidas por Deus para o bem e que punem os que fazem o mal. Este trecho é frequentemente interpretado como um chamado à obediência às leis e à ordem estabelecida na sociedade.

ROMANOS 3. 

UMA GÊSESE SOBRE A ELI DE DEUS NA TERRA PESQUISAINTRODUÇÃO: UM BREVE PANORAMA DE ROMANOS 30.1 PROBLEMA  

Em Rm 3.21-26 encontramos quatro vezes a expressão “justiça de Deus”. A proposta deste trabalho é investigar, pesquisar e analisar estas frases e descobrir a que se refere esta declaração, será o dom de Deus outorgado para a salvação? Ou um atributo do caráter de Deus vindicado na Cruz?  Ainda com muta razão a graça de Deus e o dom da graça, que nos vem de um só homem Jesus Cristo, que se difundiu sobre todos em abundância, o dom  não é qual o ato de um só que pecou, mas parte de um só para chegar a sentença de condenação, ao fato que o dom parte de muitas culpas para chegar a justificação, se pelo pecado de um só, a morte reinou por causa de um só homem, com muito maior razão, aqueles que receberam a abundancia da graça, assim pelo pecado de um só vem para todos os homens a condenação. (Rm 5:12-19) 

0.2 METODOLOGIA 

Após uma introdução metodológica, no primeiro capítulo apresentaremos um breve panorama da epístola aos Romanos; ficará mais fácil nossa compreensão do problema levantado se nos familiarizarmos com o tema e o contexto da epístola. Ainda neste capítulo delimitaremos a percope e nos deteremos mais na passagem e seu contexto imediato. No capítulo seguinte nos limitaremos a considerar as principais expressões da unidade literária proposta, analisando-as exegeticamente e retirando o máximo possível de significado do texto. Por fim a conclusão mostrará as descobertas feitas ao longo da pesquisa e suas implicações para a compreensão da expressão “justiça de Deus”.  

0.3 PRESSUPOSIÇÕES  

O método mais adequado para estudar os livros da Bíblia é o método gramático-histórico.  Podemos definir este método como a tentativa de compreender os dados bíblicos por meio de considerações metodológicas derivadas. Seu objetivo é encontrar o significado correto das Escrituras assim como era a intenção de Deus ao comunicar sua Palavra, independentemente de ter sido compreendido de forma plena pelo seu autor e destinatários ou não.  

O método gramático-histórico usa a Bíblia como sua própria interprete como um princípio controlador da interpretação O método gramático-histórico tornou-se o principal método de interpretação do protestantismo. Grandes nomes do passado sustentaram e usaram este método, dentre os quais podemos citar: Martinho Lutero, Calvino, Zwínglio, Melanchton e outros.   



CAPÍTULO I  

CONTEXTO ESPECÍFICO  

1.1 Um Breve Panorama de Romanos se conferidos todos os livros canônicos das Escrituras, o volume de Romanos ficaria em evidência pelo seu conteúdo e grande valor (Henry, 1983, v.5. p.237). A carta de Romanos é a apresentação igualmente sistemática da fé de Paulo (Patte, 1987, p. 335).  

Há dois tópicos principais na carta que são manifestos logo no primeiro capítulo a integralidade do evangelho que lhe foi entregue e a solidariedade dos judeus e gentios na concordância messiânica. Paulo, o apóstolo chama a boa nova de “o evangelho de Deus”, por Deus ser o autor, e de “o evangelho de seu Filho”, por ser Jesus a coração do evangelho. Nos vss. 1-5 ele enfoca a pessoa de Jesus Cristo, filho de Davi por descendência e poderosamente declarado Filho de Deus por meio da ressurreição. Já no vs. 16 o autor absorver-se da obra do Messias, uma vez que o evangelho é o poder de Deus para a salvação do judeu e do grego (Stott, 2001, p.35).  

Paulo tenta situar uma relação pessoal com seus leitores através destas sucintas afirmações do evangelho. No vs. 7 ele escreve “para todos os amados de Deus e chamados para serem santos”; ele não faz distinção de etnia, embora no vs. 13 ele afirme que a maioria deles são gentios. Ainda nesse ponto de contato buscando afinidade, Paulo agradece a Deus por todos eles, ora por eles constantemente, almeja vê-los e sente-se na obrigação de pregar o evangelho na capital do mundo de sua época (Stott, 2001, p.35).  

Os capitulos 1-3 abrem a acusação de Deus contra a raça humana, composta de judeus e gentios, ambos igualmente culpados. O contexto usado é igual para os dois grupos, pois não viviam à luz do conhecimento que possuíam. Em especial no terceiro capítulo penetra em cena a ira de Deus em aquiescência com sua justiça, pois o pecado não poderia passar sem receber sua carecida punição, se assim não fosse Deus não permaneceria exercendo em totalidade sua justiça (Champlin, 2002, v.3, p. 559).  

O apóstolo, no capitulo 3, continua o discurso relativo à justificação. Ele já tinha demonstrado a culpabilidade de ambos os grupos, gentios e judeus. Agora neste capítulo ele responde a algumas objeções que poderiam ser feitas contra o que ele tinha dito sobre os judeus (vss. 1-8).  Ele afirma a responsabilidade e corrupção do gênero humano, judeus e gentios (vss. 9-18). Ele discute a questão de a justificação ser por meio da fé e não pela lei para a qual ele dá várias razões (vs. 19) (Henry, 1983, v.5 p.240).  

No cap. 4, Paulo torna mais real sua explicação sobre a salvação. Ele já havia dito o que era a justificação pela fé, agora ele usa o exemplo de Abrão para provar sua tese apresentada nos capítulos anteriores. De forma muito sábia ele toma, por modelo, a pessoa que talvez tivesse mais identidade com o povo, o pai Abraão. O patriarca dá a Paulo força e veracidade no seu argumento. (1) Ele prova que Abraão não foi justificado através de obras, mas pela fé (vss. 1-8); (2) Ele observa quando e por que ele foi justificado (vss. 9-17); (3) Ele descreve e recomenda a fé do patriarca (vss. 17-22); (4) Ele faz uma aplicação para o presente (vss. 22-25). Depois desta abordagem ele entra no capítulo cinco apresentando os frutos da justificação pela fé e o seu fundamento na cruz (Henry, 1983, v.5 p.?).  

Existem dois homens representativos: Adão, em quem todos os homens morrem; e Cristo, em quem todos os homens são vivificados (Champlin, 2002, v.3, p. 559). A fé é o veículo por meio do qual fluem as bênçãos de Cristo. A fé não é meritória em si mesma. A fé consiste numa entrega confiante da alma, sendo ela mesma resultado da atuação do Espírito Santo. Assim a fé é o primeiro passo para a regeneração e vem à tona através da conversão, que por sua vez é o resultado de um perdão genuíno, o que também acontece pela atuação do Espírito Santo, segundo demonstrado nos caps. quarto e quinto (Champlin, 2002, v.3, p. 559).  

O argumento do cap. 6 é a morte e a ressurreição em Cristo pelo batismo. O cap. 7 aborda o conflito existente entre as naturezas antiga e nova. Não há um consenso se esse conflito ocorre antes ou depois da conversão. O cap. 8 é considerado o capítulo mais profundo. Neste capítulo Paulo discute idéias como: eleição, predestinação, justificação, glorificação, herança dos crentes e a segurança eterna. Segundo Champlin as relações entre a nação de Israel e a Igreja cristã, a questão das promessas de Deus não cumpridas, formam a temática dos caps. 9-11(Champlin, 2002, v.3, p. 560).  

Paulo não esqueceu a mistura étnica da igreja romana, nem as tensões que hora por outra apareciam entre a minoria, composta de cristãos judeus, e maioria, composta de gentios. Nesta seção o autor encara esta questão teológica. No cap. 9 Paulo defende a fidelidade da aliança de Deus. Ele embasa sua defesa dizendo que as promessas de Deus não se destinavam a todos os descendentes de Jacó, mas sim a um remanescente dentro de Israel. Segundo Stott a incredulidade de Israel no capítulo nove se atribui ao propósito de Deus conforme a eleição, já no capítulo dez é atribuído ao orgulho de Israel, bem como sua ignorância e obstinação (Stott, 2001, p. 40).  

A partir do cap. 11 Paulo volta-se pata o futuro. Ele declara que o fracasso de Israel não é permanente. Se por meio da transgressão de Israel veio a salvação para os gentios, agora, através da salvação dos gentios, Israel será movido pelo ciúme (vs. 11). O ministério da evangelização é provocar ciúmes em seu próprio povo a fim de salvá-los. Neste capítulo Paulo usa a alegoria da oliveira para tirar duas lições: (1) uma advertência para que os gentios (o ramo de oliveira brava que foi enxertado na oliveira) não se tornem soberbos e atrevidos conforme os vss. 17-22. (2) E uma promessa a Israel (os ramos naturais) de que, se eles não persistirem na incredulidade, serão novamente enxertados na oliveira (vss. 23-24) (Stott, 2001, p.41).  

O cap. 12 começa com Paulo chamando os crentes de Roma como irmãos, uma vez que o problema étnico fora esclarecido. Então lhes dirige uns eloquentes apelos convocando-os à consagração dos seus corpos e à renovação de suas mentes. Ele coloca diante deles duas alternativas: ou eles se ajustam aos padrões deste mundo, ou se deixam transformar por mentes e corpos renovados (Stott, 2001, p.42). As exortações particulares deste capítulo podem ser sistematizadas em três áreas principais do dever Cristão: nosso dever para com Deus, para conosco, e para com o nosso próximo (Henry, 1983, v.5 p.240).  

Por fim os cap. 12-16 são de natureza puramente ética. Champlin denomina estes capítulos de seção prática, pois descrevem a conduta ideal, tanto perante o mundo, como perante a igreja, como aos olhos dos irmãos na fé (Champlin, 2002, v.3, p.560).  Para concluir, Paulo descreve seu ministério de “apóstolo dos gentios”, junto com sua política de pregar o evangelho apenas onde Cristo não for conhecido (Rm 15.14-22). Compartilha com eles os seus planos de viagem, que incluem visitá-los quando estiver indo à Espanha, porém primeiro ele deve ir a Jerusalém levar a coleta que era um símbolo da unidade entre judeus e gentios (Rm 15.23-29). Ele solicita as orações da igreja (Rm 15.30-33). Recomenda Febe, que é presumivelmente a portadora da carta que ele envia (Rm 16.1-2). Envia saudações a 28 pessoas nominalmente (Rm 16.3-16). Embora doxologia final seja bastante complexa, seu conteúdo é extraordinário. Sua doxologia final nos leva à introdução onde tudo começa (Rm 1.1-5); isso é possível, pois tanto a introdução como a conclusão da epístola fazem referência ao evangelho de Cristo, à vocação de Deus, ao alcance de todas as nações e à convocação à obediência pela fé. 

1.2  A Passagem e seu Contexto Imediato  

Romanos 3.21-26 é normalmente considerado como uma unidade literária por grande parte dos exegetas (ver Dunn, 1988, V.38a, p.163; Kertelge, 1982, p.75; Cranfield, 1993, p.65; Stott, 2001, p.123; Trenchard, 1968, p. 121; Barth, 2000, p.137; Gaebelein, 1984, v.10, p.40). De fato, a temática desses seis versos demonstra que eles estão intimamente interligados. No seu contexto amplo Rm 3.21-26 pertences à segunda parte do livro de Romanos, a qual trata sobre o tema da justificação pela fé.  

No cap. 3 Paulo usa o vs. 21 como um trampolim para expor a obra da justiça divina.  Esta justiça, embora prometida sem as obras da lei, foi atestada pela lei e pelos profetas. Lei e profetas era um modo comum no judaísmo de referir às Escrituras do Antigo Testamento (Schwantes, 2003, p.26).  

Em Romanos 1.18-3.20, Paulo expõe a situação da humanidade sob o domínio do pecado.  Todos os seres humanos, de todas as raças e classes, de todos os credos e culturas, judeus ou gentios, imorais e moralistas, religiosos ou ateus, todos sem exceção são pecadores, culpados e sem defesa diante de Deus (Stott, 2001, p.35). No vs. 21 Paulo começa a responder o problema levantado nos versículos anteriores, e no vs. 26 ele termina sua abordagem. 

Ainda com relação ao vs. 21, depois de depreciar a justiça humana, o apóstolo abre uma nova seção, em contraste mostra a justiça divina. Até agora as palavras de Paulo foram carregadas de reprovação e ao iniciar esta nova abordagem sobre a justiça usa as palavras nuni.  de., “mas agora” (Rm 3.21). Em português esta expressão recebe o nome de locução conjuntiva; as conjunções servem para conectar orações, estabelecendo entre elas uma relação de dependência; a impressão é que o autor quer dar continuidade ao assunto.  

Para Stott o “Mas agora” é um dos maiores adversativos encontrados nas Escrituras, pois denota que em meio à corrupção universal do pecado e da culpabilidade humana brilhou a luz do evangelho (Stott, 2001, p.35). Franzmann declara que esta expressão é o próprio Deus falando, enquanto o homem emudece. Diante do desespero da humanidade Ele garante a justiça e a vida (Franzmann, 1972, p.53).  

A essência do evangelho de Paulo é incluída na antítese entre o “então” da miséria humana e o “agora” da graça de Deus. A mudança dramática efetuada pela ação divina é fixada pela expressão “mas agora”. Sem a lei – isto é, não mais levando em conta o esforço inútil do homem em cumprir os mandamentos – a justiça de Deus é revelada. O mais surpreendente é que todo o Antigo Testamento ensinou essa justiça sem obras, o vs. 21 diz “testemunhada pela lei e pelos profetas” (Wilson, 1981, p.44).  

A partir do vs. 27 ocorre uma ampliação da explicação fornecida. Em outras palavras esses seis versos são suficientes para resolver o problema levantado por Paulo. O homem não pode justificar-se a si mesmo pelas obras da lei e então ele mostra a solução que é a manifestação da justiça de Deus. Desta forma, todos perdem o direito de gabar-se. Se esvai todo o alicerce da ostentação pela justiça pessoal. Paulo conclui seu argumento afirmando que o homem somente ganhará a salvação oferecida por Deus pela fé, inteiramente à parte das obras da lei. Se a salvação pudesse ser alcançada pelo cumprimento da lei judaica, Deus poderia ser considerado o Deus dos judeus.  No entanto Ele é Deus de judeus e gentios, e abre o mesmo caminho para a salvação de ambos os grupos (Bruce, 1991, p.82).  

Esta curta seção de Rm 3.21-26 é o centro e a medula de todo o livro (Cranfield, 1993, p.65). Leon Morris se refere a esta seção como possivelmente o parágrafo mais importante que jamais se escreveu. A expressão chave é “a justiça de Deus”; a tradução NVI refere-se a uma justiça que provém de Deus, salientando assim a iniciativa salvadora que Ele tomou para conceder aos pecadores a condição de justos aos Seus olhos (Stott, 2001, p.123). 

CAPÍTULO II  

ESTUDO EXEGÉTICO  

Neste capítulo faremos um estudo detalhado de algumas expressões contidas na perícope em análise, sendo a maior ênfase na expressão “justiça de Deus” que ocorre quatro vezes na unidade literária proposta.  

3.21 Nuni. de. Mas agora: Esta conjunção é mais que uma exclamação retórica, pois não só assinala a transição do argumento da condenação do homem para a salvação oferecida por Deus, como também destaca a troca da dispensação (Trenchard, 1968, p.121). Champlin advoga a mesma idéia falando da mudança de dispensação. A palavra “agora” divide a experiência do homem: no passado a revelação preliminar mencionava apenas símbolos, na experiência atual os remidos desfrutam da alegria e da liberdade em Cristo (Champlin, 2002, v.3, p.619).  

Ao agora da carta aos Romanos se interliga a “plenitude do tempo” de Gl 4.4 (Schwantes, 2003, p.26). Nichol argumenta que o “mas agora” pode entender-se ou em seu sentido temporário, ou seja, no momento presente, ou em seu sentido lógico, nesta situação (Nichol, 1988, v.6, p. 497). Conforme já mencionado acima Paulo utiliza esta expressão para uma transição em seu discurso.  

Cwri.j no mou Sem lei: Estas palavras contrastam com "as obras da lei" (3:20). A justiça de Deus se manifestou sem nenhuma referência com a lei; quer dizer, a justiça de Deus se manifestou sem ter necessidade de nenhum princípio de lei, nem de nenhuma idéia de obediência legal como um meio de obter justiça, nem com nenhuma relação com o sistema legalista que os judeus apresentavam como a base da justificação (Nichol, 1988, v.6, p. 497). A lei revela o dever que Deus exige do homem (quer esteja contido na lei, nos profetas e nos escritos, ou mais especificamente na lei do Pentateuco) e requer esforço moral ou obras para a justificação do homem. A justiça de Deus independe do cumprimento da lei.  

Enquanto alguns autores descartam a lei como se ela fosse exonerada na cruz, Cranfield difere comentando que Paulo não pensava que a lei estivesse ausente no momento da manifestação em referência (Cristo). Pelo contrário passagens como Gl 3.13 e 4.4 sugerem que para Paulo a lei estava diretamente envolvida nos acontecimentos messiânicos. Ele ainda diz que seria uma atitude muito perversa apelar a essas palavras como prova que Paulo considerava que a lei havia sido superada e posta de lado pelo evangelho (Cranfield, 1993, p.65). 

   Dikaiosu, nh qeou / Justiça de Deus: Esta frase pode significar a justiça própria de Deus, ou a justiça que deriva de Deus, ou a justiça como um atributo de Deus. Esta justiça é um contraste aos esforços humanos de ganhar a justificação pelas obras da lei, Paulo passa a descrever a justiça de Deus, uma justiça que o Senhor está pronto a outorgar a quem manifesta fé em Jesus Cristo (Nichol, 1988, v.6, p. 497).  

Nesta sentença Paulo está anunciando a ação salvífica de Deus manifestada no agora do acontecimento de Cristo; por ela Deus dirige-se à humanidade e nela todos os homens integram se a justiça pela fé (Kertelge, 1982, p.77). Já para alguns autores esta justiça não é vindicativa ou comunicada, mas simplesmente um atributo divino. É um dom de Deus. Esse dom se relaciona com o pecador no sentido da complacência para com a vida do pecador (Cranfield, 1993, p.66; Brown, Fitzmyer e Murphy, 1986, v.4, p. 126).  

O mais curioso no verso é a contradição aparente de Paulo nas expressões sem lei – a justiça de Deus. A tradição judaica desde seu início atrelou à lei a justiça; estas expressões se complementam e estão intimamente correlacionadas (Is 51.5–6, 8 e Dn 9.16). O apóstolo apresenta uma justiça separada da lei onde a confiança está justamente no compromisso de Deus com seu povo (Dunn, 1988, V.38a, p.165).  

Martinho Lutero declara numa citação reproduzida por Bruce em seu comentário sobre o livro de Romanos:  Ansiava muito por compreender a epístola de Paulo aos Romanos, e nada me impedia o caminho, senão a Expressão: ‘a justiça de Deus’, porque a entendia como se referindo àquela justiça pela qual Deus é justo e age com justiça quando pune os injustos. Noite e dia eu refletia até que captei a verdade de que a justiça de Deus é aquela justiça pela qual, mediante a graça e a pura misericórdia, Ele nos justifica pela fé (Bruce, 1991, p.51).  Paulo quer dizer a justiça concedida por Deus. Essa justiça é sem lei no sentido de que não é uma justiça merecida ou adquirida pela guarda da lei. Sem a lei a justiça de Deus se manifestou. Eis aí a justiça enviada por Deus e revelada por Deus. Embora distinta de qualquer justiça buscada pela guarda da lei, ela é testemunhada pela lei e pelos profetas.  

Há evidências no texto que permite-nos afirmar que esta justiça é o dom outorgado por Deus para a salvação do pecador. Para provar esta afirmação ressaltaremos duas ênfases do próprio texto. Primeiro esta justiça é comunicada a todos sem discriminação de judeus ou gentios, e sua apropriação consiste na fé do pecador em Jesus Cristo (vs. 22). Em segundo lugar a justiça se manifesta para resolver o problema o pecado (vs.23). Estes pontos esclarecem que a justiça de Deus manifestada não pode ser um atributo do caráter de Deus, pois atributos intrínsecos a divindade não é comunicada a humanidade.  

Marturoume.nh, nh u`po. tou/ no. mou kai. profetas testemunhadas pela lei e pelos profetas: A lei e os profetas representam o Antigo Testamento (Brown, Fitzmyer e Murphy, 1986, v.4, p. 126). Paulo raramente fala dos profetas; menciona-os apenas em Rm 1:2 e 3:21, e em nenhuma outra parte ele usa a frase “a lei e os profetas”, entretanto estava familiarizado que esta sentença se referia a Escrituras judaicas, o Antigo Testamento Cf. Mt 5.17, 7.12, 11.13, 22.24; Lc 16.16, 16.29, 16.31, 24.27, 24.44; Jo 1.45; At 13.15, 24.14, 28.23 (Dunn, 1988, V.38a, p.165).  

Reconhecer que Deus aceita a fé por justiça não é pensamento estranho ao Antigo Testamento, temos o exemplo de Rm 4. O mosaico de passagens escriturística, previamente apresentado (3.10-18), foi extraído principalmente dos escritos, a terceira seção da Toráh. Agora o apóstolo completo o testemunho da lei referindo-se à lei e os profetas. O novo meio do homem ajustar suas relações com Deus não é absolutamente novo, mas foi realmente predito em ritos, tipos e profecias através do Antigo Testamento (Davidson, 1990, v.2, p.1160). Todo o Antigo Testamento deu testemunho desta “justiça sem obras”; foi prefigurada nos ritos da lei e predita nas promessas dos profetas cf. Lc 24.27, 44 (Wilson, 1981, p.44). 3.22 Dia. pi, stewj VIhsou/ Cristou/ mediante a fé em Jesus Cristo: Esta seria a correta tradução do termo ainda que originalmente o mesmo se diria “fé de Jesus Cristo”. Isso não significa que o foco está na fidelidade de Cristo, ainda que seja verdade que a salvação só ocorra por esse fato. Contudo, não é esse o tema do verso, o assunto é a nossa fé em Cristo (ver Gl 2.16).  Aqui temos uma demonstração do sentido aludido por Paulo na expressão. Quanto a outros paralelos desse conceito paulino, ver Gl 3.22; Ef 3.12, 4.13; ver também Mc 11.22 e At 3.16.  Paulo demonstra claramente que essa justiça de Deus não nos é dada mediante qualquer condição legal, formal, sacramental ou cerimonial. É a fé o veículo dessa doação, o meio que Deus usa para nos outorgar a sua justiça (Champlin, 2002, v.3, p.620).  

Notemos que o apóstolo não diz dià tén pístin – por causa da fé. Ele usa a expressão dià pisteos – mediante a fé. Assim ele exprime que a fé é um instrumento e não a base para se alcançar a justiça; a fé não anula o papel da graça (Leenhardt, 1969, p.100). Entretanto, a justificação não se recebe como uma recompensa por nossa fé em Cristo, mas sim a fé é o meio de apropriar-se da justificação. A fé é, por assim dizer, a mão que o pecador estende para receber o dom gratuito da misericórdia de Deus. Deus sempre está disposto a nos dar este dom, não como uma recompensa por algo que tenhamos feito, a não ser simplesmente por seu infinito amor. De nós depende que recebamos o dom, e é recebido através da fé (Nichol, 1988, v.6, p. 498). para todos [e sobre todos] os que crêem: O texto mais bem credenciado omite a expressão entre colchetes (Bruce, 1991, p.84).  

Champlin acrescenta que a expressão “e sobre todos1” não consta nos manuscritos mais antigos como o P40, a1, ABCP. Outro fator contributivo é a citação de Clemente deste verso com a omissão do termo “e sobre todos”. A combinação das duas expressões produz segundo Champlin uma frase essencialmente redundante e tautológica (Champlin, 2002, v.3, p.620).  

O porque não há distinção: Ou "não há distinção". Tanto gentios como judeus estão incluídos no mesmo método de salvação. A razão para que não se faça diferença é porque não há diferença na necessidade de ambos (vs. 23) (Nichol, 1988, v.6, p. 498).  

3.23 Pois todos pecaram: Segundo Bruce temos aqui a afirmação do fato de que todos os homens, como indivíduos, pecaram (Bruce, 1991, p.84). Notemos o aoristo “pecaram”. Isto indica um fato consumado. Nenhuma escusa pode alterar o resultado desse fato.  Alguns opinam dizendo que todos pecaram em Adão, não estando em voga os pecados individuais, mas sim a transgressão de Adão. Porém, Adão é parte da sentença como todos os homens com seus pecados (Champlin, 2002, v.3, p.620). Não há alusão aqui ao pecado original, mas sim às ações pessoais de cada indivíduo (Brown, Fitzmyer e Murphy, 1986, v.4, p. 126).  

 Os crentes carecem da glória de Deus: O vs. 23 é um resumo da argumentação de Paulo de 1.18-3.20. A glória de Deus provavelmente signifique a participação do homem na glória divina antes da queda e que será restaurada no futuro escatológico (Cranfield, 1993, p.68).  

 O antônimo enquanto o primeiro quer dizer necessidade de, caia em falta, falte, precise; o segundo termo significa riqueza, transbordamento, abundância, amplas possessões. O antônimo é um recurso que nos ajuda a perceber a carência causada pelo pecado (Dunn, 1988, V.38a, p.168).  

O pecado é colocado no passado, mas a consequências está permanente até o presente, a falta da glória de Deus. Por causa do pecado o homem carrega a desfigurada imagem de Deus.  Prova disso é a incapacidade ética do ser humano (Wilson, 1981, p.45).  

A glória (gr. doxa) é o esplendor visível do caráter perfeito de Deus. É o shequinah do Antigo Testamento, e no Novo Testamento expressa na vida encarnada de Jesus, o Verbo ou expressão do Pai. Quanto à glória de Deus, todos os homens estão em falta (carecem dela). O grego usterei`n significa “ficar em falta”, “ser inferior”, “sofrer necessidade”. Esta deficiência universal é um dos aspectos do pecado. Tanto na realidade como em consciência todos estamos muito distantes da luz ofuscante da perfeição divina (Davidson, 1990, v.2, p.1160).  

Mediante o pecado o homem perde o ideal que Deus tinha em finalidade quando o trouxe à existência (Is 43.7). Os homens estão sempre carecendo da glória de Deus porque a prática contínua do pecado nega tudo o que a glória de Deus significa. 3.24 Dikaiou, menoi dwrea. n sendo justificados gratuitamente: A justiça de (ou que provém de) Deus é uma combinação de três elementos: (1) o caráter justo de Deus, (2) a sua iniciativa salvadora e (3) a sua dádiva, que consiste em outorgar ao pecador a condição de justo perante Ele. Justificação é um termo legal ou jurídico, extraído da linguagem forense. O antônimo de justificação é condenação, ambos são pronunciados por um juiz. Agora quando transportamos esses conceitos para dentro do contexto cristão esses termos são veredictos escatológicos alternativos que Deus como juiz anunciará no dia do juízo. Contudo, quando Deus justifica os pecadores hoje, está antecipando o seu próprio julgamento final, trazendo até o presente o que de fato faz parte dos “últimos dias” (Stott, 2001, p.124).  

Th/| auvtou/ ca,riti por sua graça: Charis – Graça, essa palavra acorre 150 vezes no Novo  Testamento. Paulo usa esta significativa palavra mais que qualquer dos outros escritores do Novo Testamento, ele a utiliza 100 vezes em suas epístolas; e Lucas, seu íntimo colaborador, a usa 25 vezes em Lucas e em Atos. Ou seja, os dois a empregam mais de 80 por cento de todas as vezes que aparece no Novo Testamento. "Graça" de maneira nenhuma foi uma palavra inventada pelos apóstolos. Este termo se usa muito com uma variedade de significados na LXX, na literatura grega clássica e posterior (Nichol, 1988, v.6, p. 499). A graça é a base para a salvação. A justificação não ocorre pela fé, mas pela graça através da fé.   RODOR, Amim. A base e o instrumento da salvação. 2006. 2 Notas de aula. 

  Essa graça que inocenta e restaura é pródiga, generosa, sem reservas. É totalmente inexplicável, estando oculta no abismo do amor de Deus. Contudo, não é sentimental ou arbitrária, não ignora os pecados, muitos menos os acoberta. O Deus da graça trata o pecado de modo eficaz, pagando Ele mesmo o preço exigido. Deus em sua graça permanece o Deus da justiça. O Deus da graça não deixa de ser o Deus juiz. Sua absolvição oferecida gratuitamente está embasada na redenção que ele mesmo providenciou (Franzmann, 1972, p.55).  

Dia mediante a redenção que há em Cristo  Jesus: A palavra grega composta de apó, "procedente de", e lytrosis (lytron) "resgate", "liberação  mediante um resgate". Lytron é um termo comum nos papiros para descrever o preço de compra de escravos. Usava-se para referir-se à libertação da escravidão ou cativeiro, e geralmente implicava a idéia do pagamento de um preço ou resgate (Nichol, 1988, v.6, p. 499).  

Apolytrosis é um termo comercial emprestado dos mercadores, assim como justificação é um termo legal emprestado dos tribunais. Esse termo é usado no Antigo Testamento como uma metáfora em relação ao povo de Israel, que foi resgatado do cativeiro egípcio e depois babilônico. Da mesma forma se encontrava o homem cativo pelo pecado sem condições de se resgatar. Jesus então entre em cena e redime a raça humana, pagando o resgate com seu próprio sangue; ele comprou e libertou o homem. Aliás, segundo Mt 10.45 (“dar a sua vida em resgate por muitos”) esse era o propósito da sua vinda (Stott, 2001, p.124).  

Nichol menciona que Jesus Cristo é essencialmente ao mesmo tempo o Redentor e o preço do resgate (Nichol, 1988, v.6, p. 501). 3.25 propiciação: A palavra é quase de uso exclusivo da LXX: 21 vezes usada  em Êxodo, Levítico e Números para a tampa da arca (“o assento de clemência”), o “lugar de  expiação” (veja Êx 25 e Lv 16); cinco vezes em Ezequiel 43 na visão de templo (Dunn, 1988,  V.38a, p.170)  

A palavra para propiciação, hilasterion, é o neutro de um adjetivo derivado do verbo hilaskomai, que tem três sentidos: aplacar, conciliar ou apaziguar alguém; ser propício ou misericordioso; ou fazer propiciação por. O Novo Testamento usa as duas últimas traduções (ver Lc 18.13 e 1Jo 2.2). A idéia não é de conciliação de um Deus zangado por causa da humanidade pecadora, mas é de expiação do pecado por um Deus misericordioso mediante a morte expiatória do Seu Filho (Davidson, 1990, v.2, p.1160).  

Stott levanta um problema em relação à palavra hilasterion. Segundo ele muitos cristãos sentem-se envergonhados com essa palavra, porque propiciação significa o ato de aplacar a ira divina, ou de tornar Deus propício. Tal fato parece mais uma explicação pagã do que cristã. É como se Deus estivesse com raiva e precisasse ser apaziguado. Daí surgem duas outras maneiras possíveis de se entender hilasterion. A primeira é traduzir a palavra como propiciatório, uma referência à tampa da arca do concerto que ficava no lugar santíssimo do santuário. É este o significado mais comum na LXX, e é também o que ela significa na sua única ocorrência no Novo Testamento (Hb 9.5). Nesta tentativa o próprio Jesus seria o propiciatório onde Deus e os pecadores são reconciliados. Lutero e Calvino acreditavam que propiciatório seria a tradução correta, e influenciaram a muitos (Stott, 2001, p.129).  

O mesmo Stott refuta esta idéia apresentando quatro pontos contundentes: (1) Se Paulo  estivesse se referindo a tampa da arca ao propiciatório ele deveria inevitavelmente ter usado o  artigo definido; (2) O conceito é inconsistente em Romanos, pois esta carta, ao contrário de  Hebreus, não se encontra na esfera do simbolismo levítico; (3) Tal metáfora seria confusa e  contraditória, já que ela representaria Jesus como sendo concomitantemente a vítima cujo sangue  foi derramado e aspergido, e o lugar onde se aplicaria esse sangue; (4) O sentimento de dívida de  Paulo para com Cristo crucificado era tão profundo que ele dificilmente o teria comparado a uma  peça inanimada do santuário (Ibid, p.130).  

A segunda possibilidade de tradução para hilasterion é expiação. A argumentação é que no grego secular o verbo hilaskomai significa aplacar; na LXX o objeto desse verbo não é Deus e sim o pecado, portanto, o seu significado não seria propiciar Deus (isto é, torná-lo propício, desviar sua ira), mas sim expiar o pecado, isto é anular o pecado ou extirpar a profanação. C H Dodd, a quem geralmente se associa esta posição escreveu que os atos expiatórios “tinham como que o valor, digamos, de um desinfetante”. A BHL possivelmente influenciada por esta interpretação sugere a seguinte tradução: “Deus ofereceu Cristo como sacrifício para que, pela sua morte na cruz, Cristo se tornasse o meio de as pessoas receberem o perdão dos pecados” (Ibid, p.130). Para Jeremias o termo hilasterion também significa oferta expiatória, ainda segundo ele Rm 3.25 deveria ser traduzido como vítima expiatória; Cristo é a vítima do pecado que faz expiação pelo pecado da humanidade (Jeremias, 2006, p.199).  

A razão principal pela qual essas opções são insatisfatórias e pela qual é necessária uma referência à propiciação é o contexto. Nestes versículos Paulo descreve a solução de Deus para a 

   condição humana, o problema não se restringe somente ao pecado, mas também a ira de Deus sobre o pecado (1.18; 2.5; 3.5) (Stott, 2001, p.131).  Para Stott deveríamos lutar para resgatar a doutrina cristã da propiciação que é totalmente diferente dos conceitos supersticiosos pagãos ou animistas. Tanto a necessidade como o autor e a natureza da propiciação cristã são diferentes. Analisaremos com detalhes estes três elementos:  necessidade, autor e natureza da propiciação.  

           Por que a propiciação era necessária? A resposta pagã seria porque os deuses são caprichosos, mal humorados e sujeitos a acessos de ira. A resposta cristã é: porque a ira santa de Deus está voltada contra o mal. É o mal e o pecado que a provocam nada mais (ibid, p. 131).  

Quem é o responsável pela propiciação? Para os pagãos somos nós mesmos. Fomos nós que ofendemos os deuses, portanto devemos apaziguá-los. A resposta cristã: nós não podemos aplacar a justa indignação de Deus. Mas Deus, em seu amor sem que fossemos merecedores, fez por nós o que nunca poderíamos realizar por nós mesmos. João escreve algo parecido em I Jo 4.10 “... Deus... nos amou e enviou o seu Filho como propiciação (hilasmos) pelos nossos pecados”. “O amor, a idéia, o propósito, a iniciativa, a ação e a dádiva foram todos de Deus”.  (Ibid, p.131).  

E por fim a natureza. Como se conseguiu a propiciação? A resposta pagã é que é preciso subornar os deuses com oferendas e sacrifícios, inclusive humanos. A resposta cristã é que Deus deu o seu próprio Filho para morrer em nosso lugar, e ao dar o seu Filho, deu-se ele mesmo por nós (5.8 e 8.32) (Ibid, p.131).  

Na perspectiva pagã, os seres humanos tentam através de suas ofertas desprezíveis, aplacar o mau humor de suas divindades enfurecidas. De acordo com a revelação cristã, o próprio amor incomparável de Deus aplacou a sua própria ira santa ao dar o seu próprio Filho amado, que tomou o nosso lugar, assumiu os nossos pecados e morreu a nossa morte.  Assim fazendo, Deus mesmo entregou a si mesmo para salvar-nos dele mesmo (Ibid, p.131).  

Seguramente, a lógica da exposição de Paulo é que a ira de Deus (em 1.18–3.20) é evitada de alguma maneira na morte de Jesus, mas a passagem também retrata Deus como a oferta do sacrifício em lugar de seu objeto (Dunn, 1988, V.38a, p.171).  

A expiação de Cristo não foi feita para induzir a Deus a que amasse aos que de outro 

modo tivesse aborrecido; não se fez para criar um amor que não existia, mas sim se levou a cabo como uma manifestação do amor que já havia no coração de Deus. Em realidade, Deus se sacrificou a si mesmo em Cristo para a redenção do homem. Rm 3.25 descreve o oferecimento da justificação e redenção mediante Cristo. Jesus foi apresentado mediante sua morte expiatória como o meio de expiação, o sacrifício expiatório, a propiciação e a reconciliação (Nichol, 1988, v.6, p. 502).  

Dia mediante a fé no seu sangue: Estas duas sentenças definem claramente o conceito de propiciação: “A propiciação não acontece senão pela fé da parte do salvo, e pelo sangue da parte do Salvador”. A primeira limita a propiciação do sacrifício de Cristo àqueles que expressam fé nEle; a segunda localiza esse poder no sangue que foi derramado vicariamente para salvar pecadores de receberem o salário justo pela sua desobediência (Wilson, 1981, p.47).  

O Novo Testamento põe muita ênfase no sangue de Cristo em relação com a obra da redenção. Jesus disse que seu sangue "por muitos é derramado" (Mr 14.24); somos "justificados em seu sangue" (Rm 5.9); "temos redenção por seu sangue" (Ef 1.7); Cristo fez "a paz mediante o sangue da sua cruz" (Cl 1.20). Os que estavam "longe" foram "feitos próximos pelo sangue de Cristo" (Ef 2.13). A igreja de Deus foi comprada "por seu próprio sangue" (At 20.28). Somos lavados "de nossos pecados com seu sangue" (Ap 1.5). O sangue de Cristo representa sua vida oferecida como sacrifício expiatório pelos pecados de todo o mundo, com base no Antigo Testamento em o sangue significava a vida (Gn 9.4 e Lv 17.10-14) (Nichol, 1988, v.6, p. 503),  para manifestar a sua justiça: Deus não é somente  justo, como sempre é; também pode justificar ou colocar em correta relação aqueles que têm fé  em Jesus, embora que, fora de Cristo, não tenham eles direito a tal justificação. Deus é justo; e por causa de Sua justiça eterna e intrínseca (não a despeito dela) considera justo o pecador que crê em Jesus (Davidson, 1990, v.2, p.1160).  Literalmente "para manifestar a sua justiça" quer dizer para exibir sua própria justiça. Era necessária essa exibição devido à obra de Cristo para absolver os pecados que agora estão no passado. Seu propósito se explica no vs. 26 (Nichol, 1988, v.6, p. 503). Esta expressão revela a finalidade da cruz (Brown, Fitzmyer e Murphy, 1986, v.4, p. 128).  

Nesta unidade literária Paulo usa três palavras para descrever a cruz; são elas apolytrosis (redenção), hislaterion (sacrifício de propiciação) e endeixis (demonstração). A cruz foi uma demonstração ou uma revelação pública, sobretudo uma conquista. Além de concretizar a propiciação de Deus e a redenção dos pecadores, a cruz vindicou o caráter justo de Deus (Stott, 2001, p.132). Endeixis neste verso tem o sentido de provar, mostrar estritamente, indicação, prova, como demonstração de informação pública progegono.

Dia por ter Deus, na  sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos: Páresis, esta palavra  aparece somente aqui em todo o Novo Testamento; o seu significado principal não é perdoar, mas  sim passar por alto (Nichol, 1988, v.6, p. 503). Paulo ao usar este termo sugere que todo o sistema sacrifical do Antigo Testamento não era suficiente para resolver o problema do pecado, e que todo o rito do santuário era uma provisão intermediária e não conclusiva para o pecado (Dunn, 1988, V.38a, p.173). A redenção realizada por Cristo tem eficácia retrospectiva, bem como prospectiva (Bruce, 1991, p.88). Deus em seu amor pelos pecadores tinha protegido paciente e misericordiosamente aos homens do resultado total do seu pecado. Mesmo que a morte como consequência do pecado o tenha acompanhado. A cruz foi a expressão máxima da justiça e da ira de Deus. Nunca mais a paciência de Deus poderá ser confundida com indiferença ante o pecado previamente cometido.  Neste contexto parece que Paulo não está falando principalmente dos pecados dos indivíduos antes da conversão, mas sim dos pecados do mundo antes da morte expiatória de Cristo. Deus tinha permitido que os gentios andassem "em seus próprios caminhos" (At 14.16); "tinha tolerado" os tempos dessa ignorância (At 17.30); e devido a isso a justiça de Deus ficou obliterada, daí a necessidade de uma manifestação pública ou demonstração (Nichol, 1988, v.6, p.  503).  

Leenhardt destaca o fato do apóstolo não ter usado a palavra a;fesij (áphesis) para  exprimir a idéia de perdão, contudo ele emprega páresis. Ao escolher este termo ele o coaduna com a palavra anoche – tolerância. A condenação do pecado da forma que a implica e a manifesta a cruz, resolve todo mal-entendido referente à tolerância de Deus ao pecado. Fica evidente que Deus não é complacente com o pecado. A cruz manifesta a real natureza da justiça de Deus: misericórdia (Leenhardt, 1969, p.106).  O Senhor não se esqueceu desses pecados, embora não os resolvesse imediatamente. A ação de Deus na cruz foi mais do que uma auto vindicação à vista da história humana do passado.  Ela foi também a manifestação da sua justiça no tempo presente vs.26.  

Estes versículos refletem o ponto essencial do grande conflito, o tema central no plano de redenção. Satanás tinha declarado que a justiça era incompatível com a misericórdia, e que se a lei fosse quebrantada seria impossível que o pecador fosse perdoado. A desobediência do homem e o surgimento do pecado foram uma nova oportunidade a Satanás para que apresentasse suas arrogantes acusações contra o caráter de Deus e seu governo, insistindo em que Deus não podia ser justo e, ao mesmo tempo, mostrar misericórdia ao pecador (Nichol, 1988, v.6, p. 504).  

Durante milhares de anos Deus tolerou as acusações de Satanás e a rebelião do homem.  Durante todo esse tempo o Senhor foi desenvolvendo gradualmente seu maravilhoso plano, um plano que não só faria possível o perdão e a restauração dos pecadores, mas também demonstraria a absoluta perfeição do caráter divino e a completa união da justiça e o amor no governo divino. Tudo isto foi antecipado mediante emblemas, símbolos e profecias do Antigo Testamento. Então foi através da cruz que Deus fica completamente vindicado perante o universo por ter passado por cima, generosamente, os pecados anteriores dos homens e por ter justificado aos que tinham fé. (Nichol, 1988, v.6, p. 504).  

Não há como contestar a justificação ocorre somente pela fé, sola fide, era um grande slogan da reforma. É importante destacar que nada existe de mérito na fé. A salvação não é nenhum empreendimento cooperativo entre Deus e nós, no qual Ele entra com a cruz e nós com a fé. A graça não admite contribuições. O valor da fé não reside em si mesmo, mas completamente em Jesus e este crucificado. Dizer que a justificação é somente pela fé é a mesma coisa de dizer que a justificação é somente por Cristo. Como escreveu Richard Hoocher: “Deus justifica o que crê – não por causa do valor da sua crença, mas por causa do valor daquele em quem ele creu” (Stott, 2001, p.134).   

CONCLUSÃO  

Neste trabalho analisamos a questão da salvação, justificação e justiça de Deus. Mas qual é a essência de tudo isto? Onde está a diferença entre tudo isto e a forma de proceder da Lei antiga? Basicamente a diferença consiste nisto: o caminho da obediência à Lei tem que ver com o que o homem pode fazer por si mesmo; o caminho da graça tem que ver com o que Deus fez e pode fazer pelo homem. Paulo está insistindo em que nada do que nós possamos fazer pode ganhar o perdão de Deus; só o que Deus fez por nós pode obtê-lo. Portanto, o caminho à relação justa com Deus reside não em uma frenética e desesperada inútil tentativa de obter a absolvição por nossas obras, mas na aceitação humilde e contrita do amor e da graça que Deus nos oferece em Jesus Cristo. Paulo usa a expressão “justiça de Deus” e “sua justiça” duas vezes cada uma, a conclusão a que chegamos é que as duas primeiras vezes que ela aparece (Rm 3.21,22) “justiça de Deus”, ela significa o dom outorgado por Deus para a salvação. A manifestação da salvação como vimos é retrospectiva e prospectiva, ela valida todo o sistema sacrifical do Antigo Testamento, e a partir da cruz o pecador se vale do sacrifício de Cristo para a obtenção do perdão e consequentemente da salvação.  

A segunda frase “sua justiça” (Rm 3.25-26) representa o caráter justo de Deus, sua justiça que dizer Deus é justo, isto é, um atributo da divindade. A diferença disso seria dizer que Deus é injusto. A cruz foi a prova, a manifestação pública de que Deus é justo, e como diz Paulo por Ele ser justo Ele justifica o pecador. Na cruz Cristo realizou algo que ser humano jamais conseguiria:  ser justo, vindicando seu caráter e ser misericordioso, resgatando o homem do pecado.  

A natureza da justiça: Para Paulo, a justiça primária é a justiça de Deus, alcançada pela fé em Jesus Cristo (Romanos 3:21-26). No entanto, isso tem implicações para como os cristãos devem viver e interagir na sociedade, buscando a retidão e a equidade. Que significa “dar a cada um o que ele precisa para que todos tenham acesso às mesmas oportunidades, mesmo que de formas diferenciadas das que outras pessoas tenham, quer dizer a equidade busca suprir as necessidades individuais com a chance de atingir o mesmo objetivo

Viver em retidão: As cartas de Paulo exortam os crentes a viverem de maneira justa e honesta em suas relações com os outros (Romanos 12:17, Filipenses 4:8). Isso reflete um compromisso com a justiça prática na vida diária. Quantas cartas temos na Bíblia como autoria que Paulo escreveu ao todo tradicionalmente, não devemos procurar entender por números ou quantidades e sim a qualidade de seus ensinamentos consagrados pelo poder do Espírito Santo, os treze livros do Novo Testamento são suficientes e são atribuídos a Paulo São eles:  

Romanos,1Corintios, 2. Coríntios, Gálatas, Efésios.

Filipenses, Colossenses, 1Tessalonicenses, 2 Tessalonicenses, 1 Timoteo, 2 Timoteo, Tito e Filemom. Controvérsias Acadêmicas buscam atribuições de livros de Paulo como autor “Deutero” ou co-autor. No entanto, a autoria de algumas dessas cartas é debatida por estudiosos, a maioria deles concorda que Paulo escreveu sete dessas cartas (Romanos, 1 Coríntios, 2 Coríntios, Gálatas, Filipenses, 1 Tessalonicenses e Filemom). As outras seis (Efésios, Colossenses, 2 Tessalonicenses, 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito) são por vezes chamadas de "Deutero-Paulinas", indicando que podem ter sido escritas por discípulos ou seguidores de Paulo usando seu nome e ensinamentos. A Epístola aos Hebreus também foi tradicionalmente atribuída a Paulo, mas a maioria dos estudiosos modernos acredita que ele não a escreveu. Mas é preciso que isso continue com as pesquisas na área acadêmica, por muitos estudiosos e pesquisadores de Paulo. Portanto, dependendo da perspectiva, Paulo escreveu sete ou treze cartas que estão inseridas junto com as outras no Novo Testamento. Além dessas, há menções em suas cartas a outras correspondências que não foram preservadas (por exemplo, uma carta anterior aos Coríntios mencionada em 1 Coríntios 5:9)

A análise de Romanos Capítulos 3-13 revela a complexidade da relação entre fé e autoridade. Longe de ser um mandamento simplista de obediência incondicional, o texto paulino nos convida a uma reflexão profunda sobre a soberania de Deus sobre todas as esferas da vida, incluindo o governo. A submissão às autoridades é apresentada como um princípio geral para a manutenção da ordem social, mas não pode ser interpretada de forma isolada de outros princípios bíblicos que clamam por justiça, amor e defesa dos oprimidos. Este Trabalho é como se fosse Conclusão de Curso, também buscou demonstrar que a aplicação de Romanos 13 em contextos contemporâneos exige discernimento, diálogo e uma compreensão holística da mensagem bíblica. Os cristãos são chamados a serem cidadãos responsáveis, honrando as autoridades constituídas, mas também a exercerem sua voz profética em defesa da justiça e da verdade, mesmo que isso implique confrontar estruturas de poder injustas. A esperança é que esta análise contribua para uma compreensão mais matizada e relevante de Romanos 13, capacitando os futuros teólogos e líderes cristãos a navegarem pelos complexos desafios éticos e sociais do nosso tempo, fundamentados em uma teologia bíblica sólida e engajada com a realidade. Referências Bibliográficas: Ao concluir, revisar, não ter pressa para enviar seu trabalho neste caso apresentado, é apenas um esboço, livre das fontes bibliográficas dos autores que deverão ser citados com a norma de faculdade (Serão listadas as obras de referência utilizadas ao longo do TCC, incluindo comentários bíblicos, obras de teologia sistemática, estudos históricos e artigos acadêmicos relevantes). Observação: Este é um esboço detalhado da estrutura de cada capítulo e seção precisará ser desenvolvido com pesquisa aprofundada, argumentação consistente e referências bibliográficas adequadas. A linguagem utilizada deverá ser acadêmica e rigorosa, própria de um trabalho de conclusão de curso em teologia. No âmbito prático e existencial é esperança em meio ao sofrimento, a crença na ressurreição oferece esperança e consolo em face da dor, do sofrimento e da perda. Ela aponta para uma realidade futura de alegria e plenitude.

A motivação para uma vida de fé e serviço na certeza da ressurreição impulsiona os crentes a viverem de acordo com os ensinamentos de Jesus, buscando justiça, amor e serviço ao próximo em comunhão com os demais na comunidade e nos ambientes familiares, com empatia e piedade aos mais necessitados. O que podemos fazer para vencer o pecado, a vida ressurreta de Cristo oferece poder aos crentes para resistirem ao pecado e viverem em novidade de vida. Comunhão com o Cristo vivo, essa a afirmação de que Jesus vive implica uma relação pessoal e contínua com ele através da oração, da leitura da Bíblia e da participação na comunidade cristã. Quero dizer em resumo, quando dizemos que Jesus ressuscitou e vive, estamos afirmando e proclamando uma verdade transformadora que impacta a nossa compreensão de Deus, da vida, da morte e do nosso próprio destino. É uma declaração de fé, esperança e vitória.

 Uma visão deformada do ser humano a “Mente”

A frase "A visão deformada arruina a trajetória, isso é ter mente estreita" significa que uma perspectiva limitada, distorcida ou inflexível sobre a vida, as pessoas e as situações podem prejudicar seriamente o caminho que uma pessoa trilha. Essa "visão deformada" é sinônimo de ter uma mente estreita". 

EXPLANÇÕES.

Visão Deformada: É uma frase de um poeta inglês

Percepção distorcida da realidade: Assim como uma lente deformada altera a imagem que vemos, uma visão deformada da mente impede que a pessoa enxergue as coisas como elas realmente são. Isso pode envolver preconceitos, julgamentos apressados, interpretações equivocadas e a incapacidade de considerar diferentes pontos de vista. Quem tem o foco limitado, é como uma pessoa com uma visão deformada tende a se fixar em um único aspecto de uma situação, ignorando o contexto mais amplo e outras informações relevantes, crenças pessoais e experiências passadas podem nublar a visão, impedindo uma avaliação imparcial dos fatos. Resistência a novas ideias: Uma visão deformada geralmente acompanha a rigidez mental e a dificuldade em aceitar perspectivas diferentes ou informações que desafiem suas próprias crenças. Mente estreita significa Intolerância à diversidade, mente estreita se caracteriza pela dificuldade em aceitar e respeitar opiniões, crenças, culturas e estilos de vida diferentes dos seus. Há uma tendência a julgar o "outro" como errado ou inferior. Preconceito e estereótipos: Pessoas com mente estreita frequentemente se baseiam em estereótipos e preconceitos para entender o mundo e as pessoas, sem considerar a individualidade, falta de empatia, é a dificuldade em se colocar no lugar do outro e compreender seus sentimentos e perspectivas é uma marca da mente estreita.

A Inflexibilidade: A mente estreita resiste a mudanças, novas ideias e adaptações. Há uma preferência pelo conhecido e uma aversão ao que é diferente. Julgamento e crítica: Há uma tendência a julgar e criticar as ações e escolhas dos outros com base em seus próprios padrões limitados. Oportunidades perdidas, ao se fecharem para novas ideias e perspectivas, às pessoas com mente estreita podem perder oportunidades de crescimento pessoal, profissional e social. Como também seus relacionamentos são prejudicados, a intolerância, o julgamento e a falta de empatia dificultam a construção de relacionamentos saudáveis e significativos. Conflitos são mais prováveis e a comunicação se torna difícil. O que pode gerar estagnação pessoal, como recusa em aprender, evoluir e considerar diferentes pontos de vista leva à estagnação pessoal e à dificuldade em se adaptar a um mundo em constante mudança. Tomando decisões equivocadas, é também uma visão distorcida da realidade que pode levar a decisões mal informadas e com consequências negativas, poderá criar conflitos em grupos de pessoas levando a situações indesejáveis. Muitos escolhem o isolamento, a rigidez e a dificuldade em se conectar com pessoas diferentes podem levar ao isolamento social. Foge por não concordar e muitos amigos se afastam por não compreender o que está acontecendo com sua própria mente. É um sofrimento emocional, as emoções na mente estreita podem gerar sentimento de frustração, raiva e ressentimento em relação ao mundo e às pessoas que não se encaixam em suas expectativas limitadas. Gera conflito negativista para quem está pedindo que lhe seja ouvido e ouça sua proposta solicitada. Em suma, ter uma mente estreita, ou uma visão deformada da realidade, funciona como um obstáculo significativo na jornada da vida. Impede o crescimento, dificulta os relacionamentos, limita as oportunidades e pode levar a um caminho de frustração e isolamento. Para uma trajetória mais rica e bem-sucedida, é fundamental cultivar uma mente aberta, flexível e disposta a considerar diferentes perspectivas. porque mesmo sem acreditar “a mente”.

Quem não tem uma causa pela qual morrer, não tem motivo para viver (M. L. King).

Agradeço a todos meus irmãos em Cristo Jesus, a minha congregação, a minha família que me deram apoios em tudo para que concluísse este trabalho simples como esboços, para contribuir com quem busca viver em uma nova era com tão pouco tempo para fazer muito ainda até a vinda de Jesus. 

        “O Senhor é a Nossa Justiça” (Jr 33:16-17).  

As posições dos cristãos que atuam na esfera pública sem ceder às ideologias seculares são conhecidas e propiciaram, ao longo dos últimos séculos, a própria formação das democracias ocidentais.  

Sem perceber a influência decisiva da fé cristã, a história da formação das instituições políticas do Ocidente não pode ser compreendida de forma adequada se o propósito não tiver voltado para a humanidade.  Quando fala o grande profeta Isaías em 33:17-18: Os teus olhos verão o rei na sua formosura, e verão a terra que se estende em amplidão. O teu coração meditará no terror, dizendo: Onde está aquele que escreveu ou (serviu de escrivão?) onde está o que pesou tributo? Onde está o que contou as torres? (Isaías 33:17-18). O respeito à individualidade e à vida, enquanto dádiva do Criador, a primazia da família, a defesa da propriedade, a gritante falibilidade humana, e a liberdade dada por Deus para que o homem faça uso dos seus dons, (1Co 12:4-11). Exerça suas vocações, e coma do fruto do seu trabalho, sem que os poderosos deste mundo abusem do seu poder para roubar e oprimir o cidadão comum. Todo ser humano é merecedor destes dons que Deus lhe projetou, Ele escreveu em seu coração, como o profeta falou em Eclesiastes:

“Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs no mundo coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim Eclesiastes 3:11”. Nascia assim “o desejo pela eternidade”. Neste texto, quero contar com referto de sinceridade e verdade, não tão perfeito conhecimento de causa, mas em justiça, em algum trecho das páginas da vida, repassado de entusiasmo por um assunto que lhe é caro ao espírito e ao coração. Assim é nascida a honra que me concede o autor deste perfil, muito edificado quando bem se lançou ao mundo na obra, pronto a lançar-se de público, e o que penso do nobre e a pessoal virtude que lhe tenha acompanhado durante esses tempos. Quando éramos mais jovens, um líder inteligente, estudioso, irrepreensível, que desde pequeno, bem cedo, deu prova de cultura e praticou as virtudes cristãs, que desprendem o homem de si próprias, como também das criaturas para juntar-se mais e mais a Deus.  

Pontualmente exímio na humanidade, e na humildade, e tanto é na caridade, é um homem de alma profundamente humana e humilde: rico de dotes intelectuais e morais, oculta aos olhos de todos, se, se vale destes dotes quando lhe impera o dever é por Deus anunciado no prover do seu chamado. Despido de qualquer vaidade, guarda nas honras e elogios, um equilíbrio admirável, um equilíbrio que não se altera nas críticas e quando lhe censuram.  Sua caridade é proverbial, um ardente amor a Deus, e um grande amor das suas grandes virtudes de bondade. Geralmente quando a ele recorremos a um conselho, para uma direção, para um conforto, para um auxílio qualquer que for a necessidade e gênero. Caridade no trato o é, e muito sinceramente, no juízo que faz das pessoas: Sempre procura interpretar benignamente as ações dos outros e, ao deparar com uma ação, que não tem margem para uma defesa, procura, pelo menos, uma alternativa, atenuante para quem a criara a desarmonia em curso. Assim por viver numa era de materialismo em que uma grande ambição desmesurada de riquezas e de gozos cava abismos, isso separa o homem e as sociedades, e bem que, surge entre nós um modelo extraordinariamente de vida cristã, de vida de fé, doação, vida vivida no ambiente da família, que tem nos últimos anos respirado o ar veiculado pela onda de egoísmo de descrença e crueldade. Posso testemunhar religiosamente buscando as melhores palavras e soluções para as dualidades libertadoras hoje existentes, mesmo sabendo que só Jesus Cristo é a tem a resposta, amostra eloquentemente da visão em Jesus Cristo tenho crido na transfiguração, quando tenho uma visão em meu quarto ou onde eu me encontre em.

Quando tive meu encontro com Deus, compreendia em si todas as virtudes, ainda que cético fosse, desde muito, ainda assim pude compreender que já praticava as virtudes cristãs. Então, desprendeu o homem de si mesmo e das criaturas, para uni-lo mais e mais a Deus, ei-lo aí, Supremo Deus, justo a fé que me ilumina e conforta, quando procurado pelos fieis, saberei entender suas dúvidas e as queixas com muita paciência em horas e horas cansativas, sempre procuro encontrar recursos na fé, e na persuasão para amenizar sofrimentos, tristezas, dissabores entre as pessoas. As palavras e os conceitos surgem de sua fé na mais rica espontaneidade sem erros e sem tropeços, resume a pureza do grande Deus dos Exércitos, por   causa do “Nome do Senhor Jesus Cristo”, para todos os irmãos na fé. (Grifo do autor) .

contnuação na próxima edição